Socialização é essencial para a saúde do cão

A saúde do seu cão não depende apenas de cuidados veterinários. O bem-estar dele também precisa de cuidados psicológicos e emocionais. Uma das medidas essenciais para isto é a socialização do animal. Ao andar pelas ruas da cidade, é muito comum ver cães que sofrem do mal da falta de socialização: eles latem para qualquer pessoa e para outros animais, demonstram agressividade ou medo excessivo.

Para um dos pioneiros em adestramento canino em Fortaleza, o francês Olivier Soulier, muitos distúrbios de comportamento nos cães decorrem da falta de socialização. Assim, muitos problemas podem ser corrigidos com atividades que possibilitem uma inserção saudável do animal nos diferentes grupos e ambientes.

Primeira infância

Daí a importância do filhote só ser separado da mãe após 60 dias de nascido. É nesta primeira infância que ele vai aprender a linguagem canina, predominantemente não verbal, baseada em toques, atitudes e posturas. <É a mãe que começa a educar o filhote, fixando limites, restrições, deixando claro o que pode e o que não pode. Assim, no futuro, ele vai aceitar melhor o adestramento. No período de dois a seis meses, ele estará mais aberto a novas informações<, diz Olivier.

Pela sua experiência em adestramento, ele atesta que a maioria dos problemas de comportamento pode ser recuperada durante toda a vida do cão. Porém, têm casos de traumas que são mais difíceis de solucionar. Mesmo fazendo um trabalho mais intenso, o animal não fica 100% equilibrado. Por isto, recomenda-se que o processo de socialização seja iniciado nos primeiros dois meses do filhote, junto da mãe e dos irmãos caninos.

Após os dois meses, mas ainda dentro no calendário de vacinação dos 90 dias, quando o cãozinho não pode frequentar ambientes públicos, o tutor pode levá-lo nos braços, para começar a ter contato com novos estímulos. Passado este período, a inserção em novos grupos deve ser intensificada.

Estresse

Se não socializar, o cão fica mais vulnerável a estresse, um dos maiores problemas de comportamento, que pode chegar a níveis incontroláveis, externados por meio de agressão a pessoas, inclusive crianças, e destruição de móveis e objetos em casa.

O estresse também pode ser demonstrado pelo medo excessivo. Neste caso, há reações possíveis: fugir, evitar ou enfrentar.

Olivier Soulier fez curso na França sobre comportamento animal e depois tornou-se auto-didata no assunto. Desenvolveu método próprio de trabalho, mas baseia-se nas metodologias desenvolvidas por expoentes mundiais na área como César Milan, Victoria Stilwell e o brasileiro Alexandre Rossi. Também segue as seis prerrogativas de liderança da Psicologia Canina.

Psicologia canina

Prerrogativas de liderança na Psicologia Canina: 1- Iniciativas: Quando o animal pede algo, recusar e ignorá-lo. Somente aceitar depois de tornar a iniciativa sua; 2- Interações: Se vir para você, sistematicamente, sem ser chamado, mande voltar e depois lhe convide ou mande vir. Não aceitar a intromissão; 3- Espaços, objetos ou alimentos: Não deixe o animal controlar nenhum desses itens, somente os líderes mandam nesses pontos; 4- Movimentações: Não deixe ele controlar seus movimentos, não deixá-lo controlar os pontos de passagem obrigatórios na sua residência, não o deixa tomar a sua frente sistematicamente; 5- Intrusões (dentro do território): Não é ele que recebe e controla nem as visitas, nem as entregas, nem as pessoas que vão fazer uma reforma ou qualquer serviço no seu lar; 6- Alimentação: Não deixe-o atrapalhar suas refeições, nem divida o alimento com ele. Não precisa ficar observando o animal se alimentar.

Fonte: Diário do Nordeste

 

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